Eu torcedora e a Copa do Mundo de 2010

>> quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sempre gostei de futebol. Principalmente de Copa do Mundo. Talvez, porque, desde pequena, via meu pai, que não era fanático por nenhum time, se transformar em um legítimo torcedor da Seleção Brasileira. Vi, então com 12 anos, a decepção em seus olhos quando a seleção perdeu para a Itália nas quartas-de-final da Copa de 1982. Logo aquela seleção de craques, que para milhões de brasileiros, iria mandar para o fundo do gol adversário todas as angústias, sofrimentos e batalhas diárias.
Mesmo para uma menina de 12 anos, foi muito angustiante ver que não foi bem assim.
Desde então, em todas as Copas, sou tomada por aquele sentimento de patriotismo, acreditando, sem um mínimo de utopia, que uma seleção pode levar sim, e mudar, na ponta da chuteira, o modo com que cada torcedor/cidadão brasileiro se vê em relação ao mundo. Vieram as conquistas de 1994 e 2002, e o Brasil realmente mudou. Nós mudamos nossa postura e o nosso lugar no mundo. Será consequência do futebol? Talvez. Mas é muito bom pensar que aquele sentimento de vitória nos trouxe esperança e uma certeza da nossa capacidade.
As decepções também vieram. Mas qual brasileiro não tinha a certeza de que a sua seleção era capaz de ganhar os mundiais de 1998 e 2006? Tanto acreditávamos que arrumamos logo uma especulação para o duplo ocorrido: nosso craque não estava em condições de jogo. Ponto. E seguimos em frente, mas com a certeza da vitória, que já se apresentava: uma economia forte, poder de compra, um país em exponencial expansão.
Chegou a Copa de 2010. Primeira copa no continente africano. Apesar das dificuldades do povo sul-africano, da pobreza, da desigualdade, uma vitória.
O país Brasil novamente na ponta da chuteira. Desta vez, sem aquele sentimento antigo de desafogarmos nossas mágoas no fundo do gol adversário, mas sim uma nação vencedora torcendo por uma seleção também vencedora.
A Copa começou sem grandes emoções e algumas surpresas. Mas mesmo assim é um deleite: as torcidas do mundo inteiro, as vuvuzelas, os frangos, as vitórias, as bolas na trave, e até, porque não, as gracinhas, trejeitos e provocações do Maradona...
Estréia da Seleção Brasileira. Não jogaram o futebol arte, mas nos deram a vitória. E na minha cabeça: vitória+vitória+vitória...= HEXA!!!! Sentimentalismo de quem quer que a sua seleção seja a melhor do mundo. Além dos jogos, assistia com entusiasmo às mesas redondas, concordando, discordando, enfim, uma torcedora típica.
Segunda rodada: Começam os jogos, desta vez mais emocionantes! Até a nossa seleção começa a mostrar a que veio.
Devo admitir que esse era o meu sentimento.
De repente, a Copa se torna sombria, passa a ser a Copa dos egos. Um que acha que pode dizer o que quiser, outro que se sente traído pela falta de mordomia, outro que acha que deve criticar a opção de escolha alheia, outro que se defende onde não deveria, outro que não sabe perder, especulações, intrigas, etc.
Espera aí. Pára tudo! Me desculpem os ofendidos, mas eu, como telespectadora, me dou ao direito de vomitar nesta guerra pessoal que virou esta Copa do Mundo.
Guerra pessoal de alguns que torcem pela derrota do Brasil por achar que equivale à derrota do treinador Dunga. Apesar da atitude vexatória do nosso treinador, que leva as críticas para o lado pessoal também, me parece que ele não corresponde a 100% do time. Talvez uns 20%. Alguém pensou em nós, torcedores, que queremos ver futebol? O Dunga e a mídia sempre nos colocam no meio da discussão. O Dunga nos dizendo que a mídia nos deve desculpas pelas especulações e a mídia nos dizendo que o Dunga nos deve notícias.
Convenhamos: é preciso que exista a crítica para o bem do futebol. Mas o que se vê é uma luta de egos, onde futebol mesmo deixou de ser a pauta do dia. Onde fica o respeito pelos inúmeros torcedores, que não estão preocupados com os egos, e sim com o espetáculo?
Isso eu talvez possa dizer apenas por mim mesma: Não me interessa ver o interior do ônibus da seleção, não me interessa ver quem vai ou não jogar, treino da seleção, se Kaká está sentido dores ou não, se fulano acredita ou não em Deus, se a emissora tem ou não entrevista exclusiva. O que me interessa antes de tudo, é ver a seleção ser competente o suficiente para merecer o posto, o salário e a nação que tem quando entrar no campo. Quero ver jogo, raça, compromisso, respeito pela camisa e pelo seu adversário.
Para onde foi a palavra tolerância? Se formos nos ater em premiar ou escancarar só o que nos interessa, ou seja, os erros dos outros, estamos longe de sermos uma nação vencedora, e aqui o assunto não se restringe apenas ao futebol.
Continuo torcendo pela nossa seleção. Espero pelo hexa.
Mas me despeço dos debates, da cobertura e das coletivas.

1 comentários:

Unknown 24 de junho de 2010 às 14:10  

Boa Patrícia!
Sua opinião é como a de muitos e a minha, que ficamos chateados quando o pessoal perde o foco do que interessa, que é deixar o povo trabalhar, treinar, pra não repetir o vexame de 2006, em que só a imprensa gostou de poder ver a tudo quando queria né.
Tb não tô nem aí se treinador quer mostrar que ele é quem manda, se TV quer entrevistar porque quer... o negócio é só o resultado do jogo: ficar querendo ver o que o sujeito lanchou de manhã é dose!
E que na próxima Copa não venham técnicos que não cumprimentam os outros!

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